AFINAL SOBRE A ÁGUA

Documento emitido pela Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição em Dezembro de 2016 mostra pontos importantes sobre o assunto:

– O PH da água não influencia no PH do sangue ou do estômago. Não existem evidências científicas suficientes para uso da água alcalina em qualquer tipo de doença
– A ingesta adequada de água diariamente deve ser de 2 a 3 litros. A necessidade pode variar de acordo com a temperatura, clima, atividade física, etc. e deve ser ser observada ao menos a ingesta mínima e guiada pela sede.
– Crianças, gestantes e mães em amamentação correm maior risco de desidratação.
– A presença de sódio na água normalmente ocorre em quantidades pequenas e não representam um risco para a saúde humana. Por exemplo, se consumirmos 1,5 litro de uma água com 10 mg/litro de sódio estaremos consumindo 0,6% de nossa ingesta diária adequada de sódio.

ASSUNTOS DO CONGRESSO DE OBESIDADE – 2º dia

SOBRE MANUTENÇÃO DE PESO PERDIDO

Pelo que os estudos indicam, quando emagrecemos, nosso corpo não se acostuma com o novo peso. Parece que aquela fome vai sempre nos acompanhar e vai ser sempre trabalhoso e desafiador manter o peso. 
Uma estratégia interessante para manter o peso pode ser, pesar-se frequentemente, e, quando o peso ultrapassar 1,5 kg o alvo ideal, procurar ajuda para instituir o tratamento intensivo novamente e retornar ao peso ideal. 
(Brilhante aula do Dr Bruno Halpern)

 

VOCÊ SABE O QUE É A ADAPTAÇÃO METABÓLICA?

Quando perdemos peso, nosso metabolismo basal diminui e nossa fome aumenta. Isso normalmente ocorre até que ganhemos o peso de volta. Porém, o metabolismo basal não volta ao patamar anterior ficando um pouco abaixo. E a cada ciclo de perda e reganho de peso o metabolismo fica uma pouco abaixo. E consequentemente nosso peso tende a aumentar como resultado final do efeito sanfona.

O que podemos fazer para evitar isso? O ideal é evitarmos estes ciclos de perda e reganho de peso. Assim, observar de perto o peso e assim que houver o mínimo reganho, reiniciar todas as ações para prevenção e volta ao peso ideal.
(Parte da Aula do Dr Américo Godoy de Matos)

 

PERIGOS DA DIETA DO HCG
A ‘dieta do HCG’ consta da prescrição de um cardápio de 500 kcal associada à administração do hormônio HCG (gonadotropina coriônica humana- produzida pela placenta no período de gravidez com a finalidade de manter a gestação) O HCG não produz nenhum efeito de emagrecimento ou diminuição do apetite. O emagrecimento ocorre devido à dieta extremamente restrita. Não existe nenhuma comprovação científica que baseie esta prática, pelo contrário, estudos randomizados mostram efeito do HCG semelhante ao placebo.
Entre os efeitos colaterais desta medicação estão:
– pedras na vesícula
– síndrome da hiperestimulação dos ovários
– embolia pulmonar
– complicações cardíacas fatais
A Abeso e a Sbem são contrárias à administração do HCG com esta finalidade.
Infelizmente a legislação brasileira é leniente em casos como este, e depende de denúncias de pacientes para que alguma mobilização seja feita.
(Aula do Dr Yuri Galeno)

TRATAMENTO DA OBESIDADE NA INFÂNCIA
A obesidade infantil cresceu 4x em 3 décadas.
Devemos focar em:
-diminuição da ingesta;
-aumento do gasto;
-mudanças comportamentais;
-envolvimento familiar no processo
O tratamento é de longa duração e são necessárias visitas frequentes ao médico.
Devemos usar medicações se houver falha no programa intensivo de mudanças nos hábitos de vida.
Orlistat pode ser usado a partir de 12 anos e sibutramina a partir de 16 anos.
(Aula da Dra Erica Paniago Guedes)

DIETA RICA EM LIPÍDIOS
São necessários apenas dois dias para uma dieta rica em gordura saturada provocar resistência à insulina e modificações em nossas bactérias intestinais. Além disso, ela também atua em nosso hipotálamo, alterando o equilíbrio fome- saciedade e fazendo com que nosso apetite por mais gorduras aumente.
(Retirado da aula do Dr Mario Saad e Dr Lício Veloso)

QUAL O MELHOR EXERCÍCIO FÍSICO PARA AUMENTAR O GASTO ENERGÉTICO?
A atividade aeróbia é importante para queimar gordura, especialmente a visceral.
Porém, sabemos que a maior parte do nosso gasto energético é com o metabolismo basal. E um dos importantes determinantes modificáveis deste metabolismo é nossa massa muscular. Assim, quanto maior a hipertrofia muscular, maior o nosso gasto energético de repouso. Então, a combinação de exercícios aeróbios (caminhada,corrida, esteira, etc) e resistidos (musculação, hidroginástica, pilates) é o ideal.
(Aula da Dra Rosana Radominski)

OBESIDADE NO IDOSO
Geralmente o tratamento para emagrecimento nesta população deve ser mais ameno. A restrição dietética deve ser leve e a perda de peso lenta e moderada. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
O exercício resistido é fundamental nestes pacientes devido à importante presença da sarcopenia (perda de massa muscular).
(Aula do Dr Fábio Moura)

ASSUNTOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE OBESIDADE- 1º dia

SUPLEMENTOS ALIMENTARES
Nem todo fitoterápico é seguro.
Cítrus aurantium, CLA e Garcinia Camboja não devem ser prescritos para emagrecimento, devido a resultados inconclusivos e perfil de segurança desfavorável, segundo aula do Dr. Roberto Zagury.

SUBSTITUTOS DE REFEIÇÃO
Os substitutos de refeição podem ser bons aliados no emagrecimento e principalmente na manutenção da perda de peso quando associados a mudanças no estilo de vida.
Segundo o estudo LOOK AHEAD, os itens que promoveram maior impacto na manutenção da perda de peso foram:
1)Atividade Física regular
2)Comparecimento frequente a consultas com profissional orientador
3) substituição de refeições
(Aula ministrada pelo Dr Alexandre Benchimol)

PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE PESO
De acordo com a Nutricionista Mônica Beyruti, 80% das pessoas que emagrecem voltam a engordar em um curto-médio prazo. Por isso a importância de focar também na manutenção do peso perdido.
O aumento na ingestão de proteínas pode ser um importante aliado, pois:
– diminuem a massa gorda
– preservam a massa magra
– melhoram a saciedade
– diminuem o apetite
– aumentam hormônios que promovem saciedade
Esta ingestão de proteínas deve ser feita de forma fracionada (em todas as refeições, inclusive lanches)

Algumas observações sobre importantes dietas:
– DASH: considerada a melhor dieta do mundo em 2016. Não foca no emagrecimento e sim em melhora de Hipertensão Arterial e outros aspectos metabólicos
– PALEOLÍTICO: promove emagrecimento superior quando comparada à dieta tradicional, porém esta diferença se perde ao se completarem 2 anos de acompanhamento. Não permite consumo de laticínios, grãos. Permite baixo consumo de carboidratos.
– MEDITERRÂNEO: promove importante diminuição da inflamação corporal. É a dieta que mais diminui o Alzheimer: 54%(comparado com 39% na dieta DASH)

SENTE-SE MENOS, MOVIMENTE-SE MAIS

Parece surgir na ciência um novo parâmetro a definir nosso risco futuro de doenças cardiovasculares e diabetes mellitus:

o tempo de sedentarismo.

A revista Circulation com apoio da Obesity Society, em agosto de 2016 fez uma publicação chamando a atenção para este novo cenário: não mais somente a ausência de atividades físicas de moderada a alta intensidade são um risco importante à saúde, como também o tempo de sedentarismo.

O tempo de sedentarismo é aquele com ausência de movimentos de grandes grupos musculares. Estima-se que em atividades como sentar-se, assistir TV e usar o computador, adultos gastem em média 6 a 8 horas por dia.

Já existem evidências que este comportamento pode contribuir para o aumento da morbidade e mortalidade, porém ainda não se tem dados suficientes para indicar diretrizes quantitativas, ou seja, ainda não sabemos exatamente qual o tempo de sedentarismo é bem tolerado por nosso corpo.

Enquanto isso, fica aqui o conselho: movimente-se mais!

Grande abraço!

Pais, atenção: O que está levando nossas crianças à obesidade infantil

Estudo feito em 2015 analisando hábito alimentar e estilo de vida de crianças de 0 a 12 anos em São Paulo encontrou:

– 44% em obesidade ou sobrepeso

– 54% passam mais de 4 horas por dia em frente à TV/tablets ( o adequado é até 2 horas)

– 1/3 ultrapassa a quantidade recomenda de gordura ao dia

– 81% consomem mais sódio que o adequado

– Existe importante inadequação do consumo de vitaminas como A, C, D, E e cálcio na dieta

Este conjunto de falta de atividade física, tempo de tela elevado e hábitos alimentares inadequados estão levando à obesidade infantil e risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.

Nós pais, precisamos compreender que este quadro é nossa responsabilidade. Cabe a nós através de informações adequadas, ajustes nas regras da casa e exemplos a nossos filhos proporcionarmos uma melhor qualidade de saúde a eles.

O que podemos fazer na prática?

– Estimular o comer com atenção plena

– Realizar refeições em locais adequados

– Adequação da qualidade e quantidade dos alimentos e atenção à presença de nutrientes fundamentais

– Evitar distrações e telas no momento da refeição

– Diminuir significativamente o tempo de telas em geral

– Estimular a atividade física

Devemos fazer do comer um acontecimento social. Estudos mostram que a realização de pelo menos uma refeição em família melhora a socialização, o vocabulário e o hábito alimentar da criança.

Hoje fala-se em um distúrbio de percepção dos pais do real estado nutricional das crianças. É possível que em alguns casos em que pareça que a criança está ‘forte’, na verdade já seja um ganho de peso excessivo. É importante detectar esta situação e tomar todas as providências necessárias.

Uma criança que desenvolva sobrepeso ou obesidade até os 5 anos de idade tem 50% de chance de desenvolver o mesmo na vida adulta.

É uma grande responsabilidade em nossas mãos.

Texto baseado no Infants and Kids Study (IKS) realizado pela Nestlé em parceria com o Ibope em 2015 e na aula ministrada pela nutricionista Clarissa Fujiwara no 12o Simpósio de Síndrome Metabólica dos HCFMUSP.

Bactérias intestinais e ganho de peso

Há alguns anos a ciência vem pesquisando e algo peculiar foi descoberto: As bactérias do intestino de obesos são diferentes das de magros.

As bactérias ‘más’, ao que tudo indica, levam ao ganho de peso por:
– Aumentar a extração de nutrientes dos alimentos
– Alterar o perfil hormonal local no intestino
– Promover uma inflamação corporal devido ao acesso à corrente sanguínea de parte da parede destas bactérias. Assim, elas aumentam a resistência à insulina de forma a levar ao pré diabetes, aumentar a fome e diminuir o gasto energético.

Algumas condições podem alterar a nossa flora intestinal como genética, via de parto, uso indiscriminado de antibióticos na primeira infância. Sobre estes fatores, porém, não podemos ter influência. Mas com algumas mudanças na alimentação podemos agir de forma positiva em nossa flora intestinal.

Os alimentos processados parecem exercer influência negativa devido ao importante conteúdo de carboidratos simples, gorduras saturadas e trans e soluções ricas em frutose, edulcorantes e emulsificantes.

Para influenciarmos positivamente nossa flora intestinal devemos:
– Consumir alimentos ricos em fibras (como os integrais, frutas, etc)
– Consumir vegetais em quantidade considerável
– Evitar uso indiscriminado e desnecessário de antibióticos
– Diminuir calorias de uma forma geral

Uma ação, vários benefícios.

Osso Saudável: Da Juventude à Terceira Idade

A incidência da osteoporose vem crescendo na população, especialmente entre mulheres.

Osteoporose significa fragilidade óssea e importante aumento do risco de fraturas. Os maiores acometimentos são em coluna e fêmur. O prejuízo causado na vida de uma pessoa por uma fratura vai desde o incômodo da imobilização com prejuízo nas funções do dia a dia por curtos períodos (semanas), a graves conseqüências com imobilização permanente, perda funcional e até cognitiva ( pensamento e atenção) em caso de pacientes idosos. Além do mais, complicações podem ocorrer como artrose severa.

Sendo assim, é muito importante a cuidadosa atenção à saúde de nossos ossos.

Aqui vão alguns cuidados que devem ser tomados desde a juventude:

– Consumo adequado de cálcio na dieta ( quatro porções de laticínios por dia são suficientes);

– Exercício físico de impacto, por exemplo corrida (desde que não haja restrições do ponto de vista ortopédico ou cardiológico);

– Musculação – a manutenção de massa muscular adequada contribui para a saúde do osso;

– Vitamina D – manter seus níveis dentro do recomendado é fundamental;

– Evitar tabagismo.

Quando a mulher chega na fase da menopausa, há uma tendência a prejuízo ósseo devido à perda da proteção exercida pelo hormônio feminino. Assim, neste momento, os cuidados devem ser intensificados e a densitometria óssea dever ser realizada regularmente para devida avaliação.

Para os homens, apesar me menos frequente, esta doença também pode se apresentar, especialmente naqueles com baixo peso e na fase da andropausa.

Hoje há uma extensa gama de medicações para o tratamento desta condição: reposição de cálcio, vitamina D, medicações que agem no osso, diminuindo este desgaste e outros.

De qualquer forma, a prevenção é o melhor caminho, aliada ao tratamento adequado quando necessário.

Síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos é uma entidade patológica caracterizada por combinações de diferentes condições: distúrbios da menstruação (alguns meses sem menstruar), aumento do hormônio masculino (que pode ser detectado no exame de sangue ou através de aumento de pêlos corporais) e presença de microcistos nos ovários, com aumento de seu volume. 

Esta síndrome pode levar a vários prejuízos no organismo como risco aumentado de: 

  • abortamento
  • prejuízo na fertilidade (ciclos em que não há ovulação)
  • ganho de peso com resistência à insulina
  • síndrome metabólica
  • câncer de endométrio
  • apnéia do sono
  • aumento dos níveis de coleterol
  • diabetes tipo 2
  • hipertensão arterial sistêmica
  • doença cardiovascular 

O diagnóstico é feito baseado na história de alterações dos ciclos menstruais, exames de sangue e ultrassom pélvico. 

A doença pode se manifestar em diferentes graus e o tratamento depende dos sintomas que se apresentam.

Mais sobre saúde

Colesterol e triglicérides

 

O que são?

São partículas que carregam as gorduras em nosso sangue. Os seus níveis, se elevados, podem predispor a doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

As seguintes partículas estão presentes em nosso sangue:

LDL

Popularmente chamado ‘colesterol ruim’, pois seu aumento pode significar elevado risco de aterosclerose (depósito de gordura formando placas nas paredes das artérias). Estas placas podem se tornar volumosas de forma que obstruam parcial ou totalmente a luz dos vasos. Quando há obstrução o sangue não passa e o órgão (que pode ser o coração, o cérebro ou um dos membros) tem a chamada isquemia ( falta de oxigenação carreada pelo sangue) e pode sofrer necrose ( morte tecidual). Outra possibilidade é a ruptura da placa com liberação de seu conteúdo lipídico ( gorduroso) na corrente sanguínea com acúmulo de plaquetas, substâncias inflamatórias e trombóticas na placa de forma que a luz do vaso também é obstruída.

Dessa forma, o LDL colesterol deve ser mantido em baixo valores, para que esse risco seja diminuído.

Seus valores de referência são: <160 mg/dl para pessoas que não têm fatores de risco; < 130 mg/dl para pessoas que têm dois ou mais fatores de risco cardiovascular ( hipertensão arterial sistêmica, presença de doença cardiovascular em familiar jovem ( mulher < 65 anos e homem < 55 anos), HDL baixo ( <50 em mulheres e < 40 em homens), tabagismo); < 100 mg/dl para diabéticos; <70 mg/dl para pessoas  vítimas de doença coronariana ( infarto do miocário), acidente vascular cerebral ou insuficiência arterial periférica.

 

HDL

 Popularmente chamado ‘colesterol bom’ pois ele protege os vasos da deposição de placas, retirando a gordura ali depositada. Para que seus níveis sangüíneos fiquem mais altos, é importante o consumo de alimentos ricos em ômega 3 como peixes e a prática de atividade física regular.

Seus valores de referência são: >50 mg/dl para mulheres e > 40 mg/dl para homens.

 

Triglicérides

 Lipoproteína carreadora de ácido graxos, ou seja, gordura, estando muito relacionada à obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica.

Seu valor de referência é: < 150 mg/dl.

O colesterol total contém todas as partículas, portanto, não é um bom parâmetro para se avaliar o perfil lipídico de uma pessoa.

 

Tratamento

Dieta equilibrada, livre de alimentos ricos em gorduras e colesterol, atividade física e em alguns casos uso de medicações.

 

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Andropausa

Aproximadamente 20% dos homens ao se aproximarem dos 50 anos, podem ter sintomas de queda do hormônio masculino, a testosterona.

Esses sintomas são:

  • baixa libido
  • prejuízo na ereção
  • queda da disposição e força muscular
  • crescimento de pêlos deficiente
  • predisposição para ganho de peso e síndrome metabólica
  • prejuízo da massa óssea com osteopenia ou osteoporose

Na maior parte dos casos não há causa específica.

Quando esta condição é reconhecida, deve receber tratamento com reposição do hormônio em falta. Este tratamento deve ser realizado sob rigorosa supervisão médica com as devidas monitorizações clínicas e laboratoriais.

A reposição do hormônio, quando administrada adequadamente pode promover importante melhora da sexualidade, além de recuperação do perfil metabólico ( diminuição de gordura abdominal, da predisposição para diabetes e da obesidade).

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