É possível evitar o diabetes mellitus?

O diabetes mellitus tipo 2 é considerado uma das grandes epidemias mundiais do século XXI e problema de saúde pública em todo o mundo.

Sua prevalência estimada hoje no Brasil de acordo com a pesquisa Vigitel 2011 é 9,4% em adultos de 35 a 64 anos. Esta prevalência vem aumentando devido ao envelhecimento da população, além do aumento de condições relacionadas ao estilo de vida urbano, como a obesidade e o sedentarismo.

 

A grande consequência do diabetes são as complicações crônicas que ele pode causar: prejuízo da visão, dos rins, dos nervos e aumento de doenças cardio-vasculares como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Estas complicações podem ter seu início antes do diagnóstico de diabetes.

 

Quando estamos diante de uma doença crônica, a pergunta mais impactante é: o que poderia modificar a evolução desta doença?

 

No diabetes foi feita uma descoberta da qual muitas pessoas não têm conhecimento. Existe um momento em que a chance de ocorrerem complicações  pode ser significativamente diminuída: no início da doença. E esta afirmação não é baseada em conclusões óbvias de fisiopatologia, mas sim, foi demonstrada em extensos estudos científicos realizados nas últimas décadas.

 

Funciona mais ou menos assim: logo que se faz o diagnóstico de diabetes é necessário que seja implementado tratamento intensivo, ou seja, a terapia suficiente para manter os níveis de glicemia de jejum, glicemia pós prandial ( 2 horas após a refeição) e hemoglobina glicada nos alvos, de forma continuada. Estudo mostram que quando esta abordagem é praticada, após um período de 10 a 15 anos, mesmo que o controle intensivo da glicemia seja perdido, o paciente mantém um baixo risco de complicações crônicas, incluindo infarto do miocárdio e morte por todas as causas. Os estudos que demonstraram estes achados são o UKPDS (UK Prospective Diabetes Study) e DCCT (Diabetes Control and Complications Trial Research Group), juntamente com seus achados pós finalização.

 

No caso contrário, quando o tratamento intensivo não é ministrado desde o começo, ou o diagnóstico demora a ser realizado, este paciente pode ter um importante descontrole glicêmico, já apresentando início de lesões em outros órgãos. Quanto mais tempo este quadro se mantém (descontrole grave ou mesmo controle não ideal), maior a chance de haver uma reversão na situação. Neste cenário, pode se tornar maléfica, ao invés de benéfica, a introdução de medidas para rígido controle glicêmico, como mostraram os estudos ACCORD  (Action to control cardiovascular risk in Diabetes), ADVANCE (Action in Diabetes and Vascular Disease) e VADT (Veterans Affair Diabetes Trial). Estes estudos demonstraram aumento da mortalidade nestas circunstâncias.

 

Estes achados nos mostram que, é de vital importância para a nossa saúde presente e futura, o diagnóstico precoce do diabetes e seu tratamento rigoroso.

 

Para isso devem receber especial importância três grupos de pacientes:

  1. Aqueles com diagnóstico recente de diabetes;
  2. Aqueles que apresentam risco aumentado para diabetes ( também chamados pré diabéticos)
  3. Aqueles que apresentam fatores de risco para diabetes

 

Como é feito o diagnóstico de diabetes mellitus?

Quando a glicemia de jejum encontra-se maior ou igual a 126 mg/dl, a curva glicêmica apresenta valores superiores a 200 mg/dl aos 120` ou quando a hemoglobina glicada está maior ou igual a 6,5% ( cada um destes critérios precisa ser repetido). Ou ainda quando o paciente tem sintomas típicos de descontrole da doença (sede, aumento do volume urinário, aumento do apetite e emagrecimento inexplicado) e é realizada uma glicemia ao acaso e esta mostra um valor superior a 200 mg /dl.

 

O que é risco aumentado para diabetes?

E a situação em que os indicadores diagnósticos já estão fora da faixa do normal, mas ainda não atingiram os níveis para diagnóstico de diabetes. Ou seja, uma glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dl, valores de 140 a 199 aos 120` da curva glicêmica ou hemoglobina glicada entre 5,7 e 6,4%.

 

Devem ser testadas para diabetes mellitus os pacientes nas seguintes situações:

  • Pacientes com sobrepeso ou obesidade ( IMC >25 kg /m2) que tenham:
  1. Parentes de 1º grau com diabetes
  2. Raça ou etnia de alto risco (afro-americanos, latinos, americanos nativos, asiáticos e descendentes)
  3. História de doença cardio-vascular
  4. Hipertensão arterial ( Pressão arterial > 140/90 mm Hg ou uso de anti-hipertensivos)
  5. HDL colesterol < 35 mg /dL ou triglicérides > 250 mg /dL
  6. Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos
  7. Sedentarismo
  8. Outra condição clínica associada com resistência à insulina como por exemplo, acantose nigricans ( manchas escuras que podem ocorrer na região do pescoço, axilas e abaixo das mamas)
  • Pacientes com pré diabetes
  • Mulheres que apresentaram diabetes gestacional
  • Paciente acima de 45 anos ( em caso de resultados normais, os testes devem ser repetidos a cada 3 anos).

 

E como então poderíamos evitar o diabetes?

Um estudo chamado DPP (Diabetes Prevention Program) avaliou um grupo de pessoas com pré diabetes, e comparou dieta e exercício físicos ‘normais’ com intensivos. O estudo tinha como objetivo redução do peso corporal, redução de gordura saturada da dieta e aumento da atividade física e consumo de fibras. Ao final de 3 anos, o grupo de modificações de estilo de vida ‘normal’ apresentou uma perda de 0,9 kg e o grupo intensivo apresentou perda de 3,5 kg. O grupo de intervenção intensiva teve uma diminuição de 58% no risco de diabetes.

 

Como conclusão, apontamos algumas medidas que podem realmente mudar o curso do diabetes ( evitar em alguns casos e postegar em outros):

– diagnóstico precoce através de vigilância ativa em pacientes com fatores de risco para diabetes

– manutenção da dieta saudável

– prática de atividades físicas

– manutenção de peso saudável ( perda 4- 5 kg já fazem bastante diferença)

– tratamento precoce em caso de diagnóstico de diabetes, e em algumas ocasiões já também no pré diabetes, perseguindo metas enfaticamente

– Tratamento de outras condições como aumento de colesterol, hipertensão arterial

 

A consciência da doença e dos riscos relacionados a ela, juntamente com a implementação de medidas simples podem provocar mudanças fundamentais no curso de uma doença, que, se tratada menos que adequadamente pode causar graves transtornos à saúde.

Obesidade: Não se acostume com o mal

No dia a dia do consultório vejo que muitas pessoas vem convivendo com situações de saúde indesejáveis, mas por algum motivo não encontram a força necessária para sair daquela situação.

 

Costumo ver a obesidade e outras doenças crônicas como um grande elefante que invade a  vida e se senta em cima da pessoa. Ela tenta achar alguma saída mas não encontra forças. Talvez o que precisa ser visto é que, não é que o elefante é grande, é que a pessoa ficou pequena.

 

É isso, os obstáculos sempre estarão por aí. As dificuldades sempre procuram brechas para se instalar na nossa vida. Mas precisamos vigiar e não deixar que isso aconteça. Tudo começa pequeno e vai crescendo. Vai crescendo pois não é visto, ou não recebe  devida importância.

 

E então um dia alguém acorda e está com 40 kg a mais. Desenvolvendo diabetes hipertensão, apnéia do sono. E nem viu isso acontecer.

 

Hoje a obesidade está crescendo assustadoramente. Esta tendência afeta a todos nós já que mais de 50% de nossa população tem sobrepeso e 76% tem pelo menos excesso de gordura. E me parece que muito poucas pessoas estão satisfeitas com isso.

 

Precisamos mudar nossa postura e começar a correr ativamente atrás de nossos objetivos. Do que representa o nosso futuro: evolução pregresso, saúde, superação.

 

Aprender, pesquisar, mudar hábitos, procurar ajuda, explorar dificuldades, prestar atenção, auto-conhecer-se. Ter paciência com detalhes. Ter gentileza consigo mesmo. Ter tolerância com os próprios erros e desvios. O mais belo de tudo isso é que, este é o caminho da humanidade, na conquista de qualquer objetivo: nossa transformação e aquisição de qualidades humanas.

 

A assim aos poucos, com muito respeito pelo ‘elefante’, vamos descobrindo possibilidades e aumentando nossa força interna para agir. Fazendo a nossa parte e procurando a ajuda certa.

 

Decisão, urgência e coragem. Sua vida precisa de você.

 

Um abraço carinhoso!

Tratamento medicamentoso da obesidade

 

 

 

A obesidade é uma doença.

Na prática, qual o problema de se estar acima do peso? De forma mais direta: outras doenças que começam a ocorrer, chamadas comorbidades: hipertensão arterial, diabetes mellitus, esteatose hepática, apnéia obstrutiva do sono, doenças articulares, distúrbios psiquiátricos e até câncer.

Acredite: para algumas pessoas um ganho de peso de 5 kg pode desencadear o aparecimento de uma destas doenças. É claro que tudo depende de vários fatores, principalmente genética e idade.

E assim como qualquer outra doença, a obesidade precisa de tratamento.

Este tratamento, para começar,  passa por mudanças do estilo de vida. Acontece que, por vários motivos, muitas pessoas não conseguem o sucesso adequado com estas medidas, ou não conseguem estabelecer as medidas de forma duradoura como seria necessário.

Por que dieta e exercício físico podem ser insuficientes para perda de peso?

– genética ( algumas pessoas tem uma facilidade muito maior para ganho de peso)

– idade ( com o passar doa anos nosso gasto energético fica menor, daí a predisposição para o ganho de peso, mesmo comendo as mesmas quantidades)

– uso de medicações que levam ao ganho de peso.

– mudanças hormonais/bioquímicas do obeso: aumento da fome, diminuição da saciedade, aumento da resistência à insulina, resistência à leptina, aumento de fatores inflamatórios

– surgimento de problemas articulares que podem prejudicar a prática de atividades físicas

Neste momento faz necessária uma intervenção. Existem recursos comportamentais que podem ajudar muito. E existem também as medicações.

De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica ( ABESO), temos hoje cinco classes de medicações que podem ser usadas no tratamento medicamentoso da obesidade, baseado em evidências científicas nacionais e internacionais.

Algumas destas medicações agem na área do cérebro que controla a fome e saciedade, de forma que a pessoa sinta muito menos fome. Outro mecanismo de ação é a diminuição da absorção de gorduras no intestino. E pode haver um leve aumento do metabolismo corporal com uma das drogas.

O tratamento da obesidade deve ser proposto preferencialmente por profissional especialista, com experiência na área. O ajuste de medicações precisa ser feito com acompanhamento minucioso de cada paciente e caso os benefícios compensem os riscos ( o que acontece na quase totalidade dos casos de forma bastante significativa) o tratamento está absolutamente indicado.

Infelizmente muitas pessoas ainda não estão cientes destes aspectos descritos acima, e reagem com estranheza e atitude condenatória e contrária ao tratamento da obesidade. Isto representa um fator importante desencorajador para as pessoas que necessitam deste tratamento e já se encontram fragilizadas por diversas razões.

O preconceito é cruel, ignorante e prejudicial.

O conhecimento e a informação são fundamentais e precisam ser usados da melhor maneira em benefício da vida.

Obesidade infantil: prevenir é a melhor alternativa

A obesidade infantil é uma questão ainda mais grave que a obesidade em adultos.

Quanto mais tempo uma pessoa fica exposta a uma condição adversa, maior será a consequência. Quando esta condição, no caso a obesidade, tem início na infância, as consequências virão mais cedo. Como consequências, estamos falando do surgimento de doenças, como diabetes mellitus, hipertensão arterial, apnéia do sono, etc. Além disso, também a diminuição da longevidade e a ocorrência de danos psicológicos bastante negativos.

 

Um dos grandes desafios neste assunto é, para começar, ter clareza de quando o problema começa a se apresentar. É importante que o diagnóstico seja feito e as providências adequadas sejam tomadas o mais cedo possível, quando as ações podem ter a maior eficácia.

Para fazer o diagnóstico de sobrepeso e obesidade em crianças, o método mais indicado é o cálculo do IMC ( índice de massa corpórea – baseia-se no peso e altura). Pode ser usado em crianças a partir de 2 anos. Existe um gráfico que mostra se a criança está em estado nutricional adequado com base no IMC. Esta avaliação normalmente é feita pelo pediatra.

 

Neste artigo elucidamos 10 pontos importantes na prevenção da ocorrência da obesidade infantil, segundo a recente diretriz médica da Endocrine Society sobre este tema:

 

  • É importante que haja uma educação em termos de dieta e importância da atividade física, não só das crianças e adolescentes, mas também dos adultos e toda a comunidade. A escola deve participar ativamente deste processo.
  • É fundamental ter uma dieta saudável. Isto se faz evitando alimentos ricos em calorias e pobre em nutrientes ( como bebidas com adição de açúcar, comidas processadas com alto teor de gordura e sal, ‘fast food’, lanches ricos em calorias). Recomenda-se fortemente o consumo de frutas ao invés do suco de frutas.
  • Crianças e adolescentes devem realizar 20 minutos ( preferencialmente 60 minutos) de atividade física de alta intensidade pelo menos cinco dias por semana, para que haja melhora metabólica e diminuição da chance de obesidade.
  • É importante que o sono seja de boa qualidade. Em caso de distúrbios do sono podem ocorrer mudança na ingesta calórica e no metabolismo.
  • Moderar o tempo de telas ( TV, tablet, celular, jogos), e encorajar a prática de exercícios físicos em substituição.
  • As ações devem envolver toda a família, e não somente o paciente em questão.
  • A estrutura familiar deve ser avaliada, e, se necessário, adequadamente encaminhada para fins de redução de estressores familiares que podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade.
  • O engajamento em programas escolares e comunitários de prevenção à obesidade são adequados
  • São recomendadas intervenções comportamentais para prevenir a obesidade. Tais programas devem ser integrados à escola ou promovidos pela comunidade para alcançar o máximo de pessoas.
  • O aleitamento materno é recomendado em crianças por inúmeros benefícios. É possível que tenha um papel importante também na prevenção da obesidade infantil.

Temos um compromisso imenso com nossa saúde. Mas esse compromisso é ainda maior quando se trata de nossas crianças, por quem somos responsáveis.

Obesidade: é preciso tratar com respeito.

 

Diabetes: prevenção ou consequência? Uma escolha

No consultório vejo algo grave acontecendo todos os dias: pessoas perdendo sua saúde por motivos vis. Não pela gravidade da doença ou falta de acesso ao tratamento, mas por não se darem conta do caráter evolutivo de algumas doenças, como no caso do diabetes mellitus.

 

Para começar, como já disse, o diabetes é uma doença evolutiva. Isso quer dizer que sempre vai avançar. Isto porém, pode se dar de forma mais acelerada ou mais lenta, quase imperceptível, de acordo com a genética de cada um e a instituição do tratamento adequado.

 

Mas afinal, qual é o grande problema da evolução do diabetes, já que metade das pessoas que portam a doença não sentem nada ( pelo menos até que os níveis cheguem em certa gravidade)?

 

O problema é que diabetes ‘descontrolado’ causa complicações. E elas são potencialmente graves, podendo afetar olhos, rins, nervos, coração e cérebro. Mais uma vez dependendo da genética, tempo de diabetes e magnitude do descontrole dos níveis de glicose ao longo do tempo.

 

O descontrole glicêmico, mesmo leve e por curto período, causa lesões em órgãos alvo que não podem ser recuperadas. A lesão cumulativa leva à perda da função.

 

O que se tem hoje na prática:

 

  • Muita gente já está diabético e não sabe ( 40% dos diabéticos da América Latina segundo o Atlas do IDF 2017)
  • Muita gente recebe o diagnóstico e tenta ‘resolver da sua forma’ com abordagem menos intensa que deveria durante um certo tempo
  • Muita gente gente tem diabetes e não faz o tratamento adequado, mantendo alvos não atingidos ( neste caso por desinformação, má assistência ou auto cuidados inadequados decorrente de problemas na auto estima)

 

Afinal, qual é a meta terapêutica para o diabético?

 

Dois indicadores são mais usados: a hemoglobina glicada e a glicemia capilar.

Para a hemoglobina glicada, uma meta <6,5%, <7,0% ou <8,0% pode ser indicada de acordo com presença de outras doenças, risco de hipoglicemia, expectativa de vida e tempo de diabetes.

Para a glicemia capilar, a SBD ( Sociedade Brasileira de Diabetes) preconiza níveis menores que 100 mg/dL antes das refeições e menores que 160mg/dL de 1 a 2 horas após o início da refeição.

 

E quais são os recursos pra atingir as metas?

 

  1. Dieta adequada com escolha inteligente dos alimentos
  2. Prática de atividades físicas adequadas
  3. Controle de outras doenças como: obesidade, hipertensão arterial, aumento de colesterol, tabagismo
  4. Uso de medicações adequadas ( hoje temos mais de 12 classes de medicações, algumas delas eficazes de forma importantíssima na evolução da doença e na proteção das complicações cardíacas e renais do diabetes)

 

Falhar é ruim.

Falhar por falta de recursos é doloroso.

Porém, falhar por falta de iniciativa, é uma grave afronta à vida.

Consulte um endocrinologista, desde o início da doença!

 

Um forte abraço!

 

Dra Nathalia Ferreira.

CRM 115.092

Endocrinologia e Metabologia

RQE: 35585

Afinal, sobre a água

Documento emitido pela Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição em Dezembro de 2016 mostra pontos importantes sobre o assunto:

– O PH da água não influencia no PH do sangue ou do estômago. Não existem evidências científicas suficientes para uso da água alcalina em qualquer tipo de doença
– A ingesta adequada de água diariamente deve ser de 2 a 3 litros. A necessidade pode variar de acordo com a temperatura, clima, atividade física, etc. e deve ser ser observada ao menos a ingesta mínima e guiada pela sede.
– Crianças, gestantes e mães em amamentação correm maior risco de desidratação.
– A presença de sódio na água normalmente ocorre em quantidades pequenas e não representam um risco para a saúde humana. Por exemplo, se consumirmos 1,5 litro de uma água com 10 mg/litro de sódio estaremos consumindo 0,6% de nossa ingesta diária adequada de sódio.

Congresso Brasileiro de Obesidade 2017 Destaques – 1

SOBRE MANUTENÇÃO DE PESO PERDIDO

Pelo que os estudos indicam, quando emagrecemos, nosso corpo não se acostuma com o novo peso. Parece que aquela fome vai sempre nos acompanhar e vai ser sempre trabalhoso e desafiador manter o peso. 
Uma estratégia interessante para manter o peso pode ser, pesar-se frequentemente, e, quando o peso ultrapassar 1,5 kg o alvo ideal, procurar ajuda para instituir o tratamento intensivo novamente e retornar ao peso ideal. 
(Brilhante aula do Dr Bruno Halpern)

 

VOCÊ SABE O QUE É A ADAPTAÇÃO METABÓLICA?

Quando perdemos peso, nosso metabolismo basal diminui e nossa fome aumenta. Isso normalmente ocorre até que ganhemos o peso de volta. Porém, o metabolismo basal não volta ao patamar anterior ficando um pouco abaixo. E a cada ciclo de perda e reganho de peso o metabolismo fica uma pouco abaixo. E consequentemente nosso peso tende a aumentar como resultado final do efeito sanfona.

O que podemos fazer para evitar isso? O ideal é evitarmos estes ciclos de perda e reganho de peso. Assim, observar de perto o peso e assim que houver o mínimo reganho, reiniciar todas as ações para prevenção e volta ao peso ideal.
(Parte da Aula do Dr Américo Godoy de Matos)

 

PERIGOS DA DIETA DO HCG
A ‘dieta do HCG’ consta da prescrição de um cardápio de 500 kcal associada à administração do hormônio HCG (gonadotropina coriônica humana- produzida pela placenta no período de gravidez com a finalidade de manter a gestação) O HCG não produz nenhum efeito de emagrecimento ou diminuição do apetite. O emagrecimento ocorre devido à dieta extremamente restrita. Não existe nenhuma comprovação científica que baseie esta prática, pelo contrário, estudos randomizados mostram efeito do HCG semelhante ao placebo.
Entre os efeitos colaterais desta medicação estão:
– pedras na vesícula
– síndrome da hiperestimulação dos ovários
– embolia pulmonar
– complicações cardíacas fatais
A Abeso e a Sbem são contrárias à administração do HCG com esta finalidade.
Infelizmente a legislação brasileira é leniente em casos como este, e depende de denúncias de pacientes para que alguma mobilização seja feita.
(Aula do Dr Yuri Galeno)

TRATAMENTO DA OBESIDADE NA INFÂNCIA
A obesidade infantil cresceu 4x em 3 décadas.
Devemos focar em:
-diminuição da ingesta;
-aumento do gasto;
-mudanças comportamentais;
-envolvimento familiar no processo
O tratamento é de longa duração e são necessárias visitas frequentes ao médico.
Devemos usar medicações se houver falha no programa intensivo de mudanças nos hábitos de vida.
Orlistat pode ser usado a partir de 12 anos e sibutramina a partir de 16 anos.
(Aula da Dra Erica Paniago Guedes)

DIETA RICA EM LIPÍDIOS
São necessários apenas dois dias para uma dieta rica em gordura saturada provocar resistência à insulina e modificações em nossas bactérias intestinais. Além disso, ela também atua em nosso hipotálamo, alterando o equilíbrio fome- saciedade e fazendo com que nosso apetite por mais gorduras aumente.
(Retirado da aula do Dr Mario Saad e Dr Lício Veloso)

QUAL O MELHOR EXERCÍCIO FÍSICO PARA AUMENTAR O GASTO ENERGÉTICO?
A atividade aeróbia é importante para queimar gordura, especialmente a visceral.
Porém, sabemos que a maior parte do nosso gasto energético é com o metabolismo basal. E um dos importantes determinantes modificáveis deste metabolismo é nossa massa muscular. Assim, quanto maior a hipertrofia muscular, maior o nosso gasto energético de repouso. Então, a combinação de exercícios aeróbios (caminhada,corrida, esteira, etc) e resistidos (musculação, hidroginástica, pilates) é o ideal.
(Aula da Dra Rosana Radominski)

OBESIDADE NO IDOSO
Geralmente o tratamento para emagrecimento nesta população deve ser mais ameno. A restrição dietética deve ser leve e a perda de peso lenta e moderada. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
O exercício resistido é fundamental nestes pacientes devido à importante presença da sarcopenia (perda de massa muscular).
(Aula do Dr Fábio Moura)

Congresso Brasileiro de Obesidade 2017 Destaques – 2

 

SUPLEMENTOS ALIMENTARES
Nem todo fitoterápico é seguro.
Cítrus aurantium, CLA e Garcinia Camboja não devem ser prescritos para emagrecimento, devido a resultados inconclusivos e perfil de segurança desfavorável, segundo aula do Dr. Roberto Zagury.

SUBSTITUTOS DE REFEIÇÃO
Os substitutos de refeição podem ser bons aliados no emagrecimento e principalmente na manutenção da perda de peso quando associados a mudanças no estilo de vida.
Segundo o estudo LOOK AHEAD, os itens que promoveram maior impacto na manutenção da perda de peso foram:
1)Atividade Física regular
2)Comparecimento frequente a consultas com profissional orientador
3) substituição de refeições
(Aula ministrada pelo Dr Alexandre Benchimol)

PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE PESO
De acordo com a Nutricionista Mônica Beyruti, 80% das pessoas que emagrecem voltam a engordar em um curto-médio prazo. Por isso a importância de focar também na manutenção do peso perdido.
O aumento na ingestão de proteínas pode ser um importante aliado, pois:
– diminuem a massa gorda
– preservam a massa magra
– melhoram a saciedade
– diminuem o apetite
– aumentam hormônios que promovem saciedade
Esta ingestão de proteínas deve ser feita de forma fracionada (em todas as refeições, inclusive lanches)

Algumas observações sobre importantes dietas:
– DASH: considerada a melhor dieta do mundo em 2016. Não foca no emagrecimento e sim em melhora de Hipertensão Arterial e outros aspectos metabólicos
– PALEOLÍTICO: promove emagrecimento superior quando comparada à dieta tradicional, porém esta diferença se perde ao se completarem 2 anos de acompanhamento. Não permite consumo de laticínios, grãos. Permite baixo consumo de carboidratos.
– MEDITERRÂNEO: promove importante diminuição da inflamação corporal. É a dieta que mais diminui o Alzheimer: 54%(comparado com 39% na dieta DASH)

Sente-se menos, movimente-se mais

Parece surgir na ciência um novo parâmetro a definir nosso risco futuro de doenças cardiovasculares e diabetes mellitus:

o tempo de sedentarismo.

A revista Circulation com apoio da Obesity Society, em agosto de 2016 fez uma publicação chamando a atenção para este novo cenário: não mais somente a ausência de atividades físicas de moderada a alta intensidade são um risco importante à saúde, como também o tempo de sedentarismo.

O tempo de sedentarismo é aquele com ausência de movimentos de grandes grupos musculares. Estima-se que em atividades como sentar-se, assistir TV e usar o computador, adultos gastem em média 6 a 8 horas por dia.

Já existem evidências que este comportamento pode contribuir para o aumento da morbidade e mortalidade, porém ainda não se tem dados suficientes para indicar diretrizes quantitativas, ou seja, ainda não sabemos exatamente qual o tempo de sedentarismo é bem tolerado por nosso corpo.

Enquanto isso, fica aqui o conselho: movimente-se mais!

Grande abraço!

Pais, atenção: O que está levando nossas crianças à obesidade infantil

Estudo feito em 2015 analisando hábito alimentar e estilo de vida de crianças de 0 a 12 anos em São Paulo encontrou:

– 44% em obesidade ou sobrepeso

– 54% passam mais de 4 horas por dia em frente à TV/tablets ( o adequado é até 2 horas)

– 1/3 ultrapassa a quantidade recomenda de gordura ao dia

– 81% consomem mais sódio que o adequado

– Existe importante inadequação do consumo de vitaminas como A, C, D, E e cálcio na dieta

Este conjunto de falta de atividade física, tempo de tela elevado e hábitos alimentares inadequados estão levando à obesidade infantil e risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.

Nós pais, precisamos compreender que este quadro é nossa responsabilidade. Cabe a nós através de informações adequadas, ajustes nas regras da casa e exemplos a nossos filhos proporcionarmos uma melhor qualidade de saúde a eles.

O que podemos fazer na prática?

– Estimular o comer com atenção plena

– Realizar refeições em locais adequados

– Adequação da qualidade e quantidade dos alimentos e atenção à presença de nutrientes fundamentais

– Evitar distrações e telas no momento da refeição

– Diminuir significativamente o tempo de telas em geral

– Estimular a atividade física

Devemos fazer do comer um acontecimento social. Estudos mostram que a realização de pelo menos uma refeição em família melhora a socialização, o vocabulário e o hábito alimentar da criança.

Hoje fala-se em um distúrbio de percepção dos pais do real estado nutricional das crianças. É possível que em alguns casos em que pareça que a criança está ‘forte’, na verdade já seja um ganho de peso excessivo. É importante detectar esta situação e tomar todas as providências necessárias.

Uma criança que desenvolva sobrepeso ou obesidade até os 5 anos de idade tem 50% de chance de desenvolver o mesmo na vida adulta.

É uma grande responsabilidade em nossas mãos.

Texto baseado no Infants and Kids Study (IKS) realizado pela Nestlé em parceria com o Ibope em 2015 e na aula ministrada pela nutricionista Clarissa Fujiwara no 12o Simpósio de Síndrome Metabólica dos HCFMUSP.