Diabetes: prevenção ou consequência? Uma escolha

No consultório vejo algo grave acontecendo todos os dias: pessoas perdendo sua saúde por motivos vis. Não pela gravidade da doença ou falta de acesso ao tratamento, mas por não se darem conta do caráter evolutivo de algumas doenças, como no caso do diabetes mellitus.

 

Para começar, como já disse, o diabetes é uma doença evolutiva. Isso quer dizer que sempre vai avançar. Isto porém, pode se dar de forma mais acelerada ou mais lenta, quase imperceptível, de acordo com a genética de cada um e a instituição do tratamento adequado.

 

Mas afinal, qual é o grande problema da evolução do diabetes, já que metade das pessoas que portam a doença não sentem nada ( pelo menos até que os níveis cheguem em certa gravidade)?

 

O problema é que diabetes ‘descontrolado’ causa complicações. E elas são potencialmente graves, podendo afetar olhos, rins, nervos, coração e cérebro. Mais uma vez dependendo da genética, tempo de diabetes e magnitude do descontrole dos níveis de glicose ao longo do tempo.

 

O descontrole glicêmico, mesmo leve e por curto período, causa lesões em órgãos alvo que não podem ser recuperadas. A lesão cumulativa leva à perda da função.

 

O que se tem hoje na prática:

 

  • Muita gente já está diabético e não sabe ( 40% dos diabéticos da América Latina segundo o Atlas do IDF 2017)
  • Muita gente recebe o diagnóstico e tenta ‘resolver da sua forma’ com abordagem menos intensa que deveria durante um certo tempo
  • Muita gente gente tem diabetes e não faz o tratamento adequado, mantendo alvos não atingidos ( neste caso por desinformação, má assistência ou auto cuidados inadequados decorrente de problemas na auto estima)

 

Afinal, qual é a meta terapêutica para o diabético?

 

Dois indicadores são mais usados: a hemoglobina glicada e a glicemia capilar.

Para a hemoglobina glicada, uma meta <6,5%, <7,0% ou <8,0% pode ser indicada de acordo com presença de outras doenças, risco de hipoglicemia, expectativa de vida e tempo de diabetes.

Para a glicemia capilar, a SBD ( Sociedade Brasileira de Diabetes) preconiza níveis menores que 100 mg/dL antes das refeições e menores que 160mg/dL de 1 a 2 horas após o início da refeição.

 

E quais são os recursos pra atingir as metas?

 

  1. Dieta adequada com escolha inteligente dos alimentos
  2. Prática de atividades físicas adequadas
  3. Controle de outras doenças como: obesidade, hipertensão arterial, aumento de colesterol, tabagismo
  4. Uso de medicações adequadas ( hoje temos mais de 12 classes de medicações, algumas delas eficazes de forma importantíssima na evolução da doença e na proteção das complicações cardíacas e renais do diabetes)

 

Falhar é ruim.

Falhar por falta de recursos é doloroso.

Porém, falhar por falta de iniciativa, é uma grave afronta à vida.

Consulte um endocrinologista, desde o início da doença!

 

Um forte abraço!

 

Dra Nathalia Ferreira.

CRM 115.092

Endocrinologia e Metabologia

RQE: 35585

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