Tratamento medicamentoso da obesidade

 

 

 

A obesidade é uma doença.

Na prática, qual o problema de se estar acima do peso? De forma mais direta: outras doenças que começam a ocorrer, chamadas comorbidades: hipertensão arterial, diabetes mellitus, esteatose hepática, apnéia obstrutiva do sono, doenças articulares, distúrbios psiquiátricos e até câncer.

Acredite: para algumas pessoas um ganho de peso de 5 kg pode desencadear o aparecimento de uma destas doenças. É claro que tudo depende de vários fatores, principalmente genética e idade.

E assim como qualquer outra doença, a obesidade precisa de tratamento.

Este tratamento, para começar,  passa por mudanças do estilo de vida. Acontece que, por vários motivos, muitas pessoas não conseguem o sucesso adequado com estas medidas, ou não conseguem estabelecer as medidas de forma duradoura como seria necessário.

Por que dieta e exercício físico podem ser insuficientes para perda de peso?

– genética ( algumas pessoas tem uma facilidade muito maior para ganho de peso)

– idade ( com o passar doa anos nosso gasto energético fica menor, daí a predisposição para o ganho de peso, mesmo comendo as mesmas quantidades)

– uso de medicações que levam ao ganho de peso.

– mudanças hormonais/bioquímicas do obeso: aumento da fome, diminuição da saciedade, aumento da resistência à insulina, resistência à leptina, aumento de fatores inflamatórios

– surgimento de problemas articulares que podem prejudicar a prática de atividades físicas

Neste momento faz necessária uma intervenção. Existem recursos comportamentais que podem ajudar muito. E existem também as medicações.

De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica ( ABESO), temos hoje cinco classes de medicações que podem ser usadas no tratamento medicamentoso da obesidade, baseado em evidências científicas nacionais e internacionais.

Algumas destas medicações agem na área do cérebro que controla a fome e saciedade, de forma que a pessoa sinta muito menos fome. Outro mecanismo de ação é a diminuição da absorção de gorduras no intestino. E pode haver um leve aumento do metabolismo corporal com uma das drogas.

O tratamento da obesidade deve ser proposto preferencialmente por profissional especialista, com experiência na área. O ajuste de medicações precisa ser feito com acompanhamento minucioso de cada paciente e caso os benefícios compensem os riscos ( o que acontece na quase totalidade dos casos de forma bastante significativa) o tratamento está absolutamente indicado.

Infelizmente muitas pessoas ainda não estão cientes destes aspectos descritos acima, e reagem com estranheza e atitude condenatória e contrária ao tratamento da obesidade. Isto representa um fator importante desencorajador para as pessoas que necessitam deste tratamento e já se encontram fragilizadas por diversas razões.

O preconceito é cruel, ignorante e prejudicial.

O conhecimento e a informação são fundamentais e precisam ser usados da melhor maneira em benefício da vida.

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